Tudo e todos viraram mercadoria no capitalismo tecnocrata ultra-dinheirista
A História - - - enquanto ofício profissional do trabalhador de História, o Historiador, (entendo como Historiador o formado em Bacharelado em História) - - - é prisioneira do agora, mas de uma forma ruim.
François Hartog diz que a nossa sociedade sofre de uma tirania do instante, onde a disciplina (o ofício) da História e a nossa própria experiência de vida perderam a capacidade de olhar para trás para aprender e de olhar para frente para sonhar.
A História, sobretudo a Historiografia (que é a escrita da História) atuais, focam muito em memória e patrimônio, que são coisas indispensáveis e severamente importantes.
Contudo, ao invés vez de se usar o passado para entender e compreender grandes processos históricos, a maioria das pessoas (especialmente, os acadêmicos e os Historiadores, em grande parte doutrinados pelo velho sistema educacional criado pelas elites e para as elites) tentam censurar e eliminar grandes acontecimentos em proveito da narrativa ideológica que professam e, assim, a sociedade de modo geral acaba consumindo história apenas na forma de ufanismos mentecaptos, comemorações imediatas, turismo, museus e nostalgia (como a moda retro). Entendam: não renego a importância da micro-história, a história dos menores, a história das pessoas em seu caráter multifacetado, ou seja, compreendo que Micro e Macro Historia são indissociáveis, portanto, não há guerrilha narrativa que sustenta tal divisão superficial e com fins politiqueiros por muito tempo, e é isso que vemos atualmente no mundo todo. Todos os fatos e nexos causais estão conectados.
Contudo, hoje, claramente vemos que o passado só importa se servir para o consumo do "agora". Em todos os sentidos e em todos os lados do espectro político-social-cultural, das disputas simbólicas em geral.
O futuro (pelo menos o imaginado, o inventado, o delírio do futuro, digamos) virou uma ameaça.
Antigamente, as pessoas agiam pensando no progresso. Hoje, o amanhã é visto com medo, pavor, pânico (crise climática, colapso político sistemático, colapso econômico, guerras, pandemias, etc). E grande parte desse terror do futuro foi criado pelo delírio doutrinário e ideológico da esquerda acadêmica no mundo todo. Isto é, cria-se um clima de terror para se postar como 'a solução', 'a salvação' para todos os problemas, quando na verdade, manter os problemas, principalmente, o da pobreza, o da deseducação e desqualificação, da ignorância gerenalizada, é o que se pretende .
Assim, como o futuro assusta, a sociedade (que caminha para a ruptura civilizatória através do processo de precarização violentada vida) se fecha e se "tranca" no presente.
Portanto, Hartog tem razão quando pensa que a História contemporânea está hipertrofiada, que ela perdeu suas âncoras e flutua presa no imediatismo das redes sociais, do mercado financeiro e das respostas em tempo real. No vício dopamínico do 'rola tela'.
Tem como escaparmos dessa auto-destruição emininente?
Para o "Historiador Sociólogo", Hartog (que é assim que o considero, uma Historiador que se comunica como Sociólogo), a solução é parar de viver apenas para o consumo do momento e usar a crise da natureza como um alerta. Só assim conseguiremos voltar a planejar o futuro e usar os erros do passado para consertar o mundo.
Eu diria que Hartog é um grande utópico ao achar que esse trem descarilhado da humanidade decadente, que corre velozmente para o precipício irá parar e tudo vai ficar bem.
Penso que sem uma faxina geral mental, moral, material (de desapego das coisas materiais e o livramento do vício do consumismo e acúmulo de bens), a humanidade está fadada a um morte horrenda e sangrenta, através do processo de Humanidade Zero, que se dá através desse claro, público e notório processo de precarização violenta da vida, agregado com o processo de idiotização em massa pela Algoritmia do Caos das Redes Sociais IA-lizadas, a mercadorialização e a monetização da vida em toda a parte.
Em resumo, sem chance de salvação, nem com cachaça (distração), nem com oração, nem com tecnologia, nem com ciência, nem com invasão e exploração de outros mundos no espaço sideral. Infelizmente, tudo tende para o caos total e absoluto de mais uma Idade das Trevas com ruptura civilizatória violenta. Aos idealistas, utópicos e sonhadores, por favor, me provem o contrário.
Então, o que fazer diante desse cenário brutal? Só o que nos resta, a nós Espíritos Livres, Viajantes da Luz na Escuridão, é viver o tempo que nos resta da melhor maneira que pudermos, junto dos pouquíssimos que nos são caros e raros, e tentar ser uma ponte para os pouquíssimos interessados em fazer algo bom e útil, que vierem depois de nós, possam tentar (na teoria e na prática) fazer alguma coisa pela Re-humanização da humanidade que ainda presta, já que a maioria, infelizmente, se encontra em um estágio avançado de putrefação mental, moral, material e espiritual. Fora isso, não há mais nada a se fazer.
___E. E-Kan



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