"O fundador do Paraná, Zacarias, era negro"
Zacarias em retrato oficial de Joaquim Insley Pacheco (1830-1912)
Nas redes umbrais sociais da desinformação IAlizada, a militância de esquerda alega que um dos fundadores do Estado do Paraná, "Zacarias de Gois e Vasconcelos era Bahiano, Nordestino e negro".
Tais afirmações foram divulgadas pela militância de esquerda sob alegação de se "combater xenofobia por parte dos paranenses da extrema-direita".
Vamos aos fatos:
Primeiro que o Paraná não foi fundado por Zacarias. O Paraná foi emancipado pela Lei Imperial 704 de 29 de agosto de 1853, assinada por Dom Pedro II em 1853.
A lei imperial tem como fundamento o Projeto de Lei n° 206 de 10 de agosto de 1853, proposta e encabeçada pelo deputado conservador de Minas Gerais, Antônio Cândido da Cruz Machado.
Então, houve um Projeto de lei que foi aprovado pelo Congresso e depois sancionada pelo Imperador, emancipando/criando o Paraná em 29 de agosto de 1853.
Obviamente, antes de tudo, existia toda uma história do que futuramente seria o Paraná. Haviam pessoas morando nessas terras. Essas pessoas, que tiveram essas terras invadidas, foram escravizadas, expulsas ou assassinadas, depois foram chamadas de indígenas.
Não vamos entrar nessa questão a fundo, aqui.
Voltemos ao Zacarias.
Zacarias era branco, (conforme retratos oficiais). Se teoricamente admitirmos uma variação de pele, sem evidências, ele poderia até ir pro lado do mestiço, com o tom de pele indo mais para o branco do que para o negro. CONTUDO, ZACARIAS NUNCA SE DECLAROU NEGRO, NEM MESTIÇO.
Mas o que leva os militantes a afirmarem que Zacarias era negro?
As alegações da militância de hoje, partem de teorias do militante ativista Abdias Nascimento (PDT-RJ) (1914-2011), membro da Frente Negra Brasileira (FNB), aquela que nos anos anteriores ao Estado Novo, andou com uma mãozinha dada com o fascismo da Ação Integralista Brasileira (AIB), o qual alegava que "em seus estudos", teria "descoberto que vários senadores tidos como brancos, na verdade eram negros", inclusive o Tancredo Neves.
Claro, Abdias nunca revelou como se deu essa "descoberta", só que "foi fundo na pesquisa".
Segundo o site do Senado:
[...] "Abdias contou aos colegas que, após fazer uma longa e minuciosa pesquisa histórica, localizou 22 senadores negros antes dele, “aí incluídos pretos, mulatos, pardos, filhos de primeira e segunda geração”. Não foi uma tarefa simples.
— Tive de usar de uma sagacidade de pesquisador à beira da astúcia, indo a dezenas de fontes, cruzando vários dados, cotejando muitas informações, para chegar a esse número. Isso porque aqueles 22 senadores não assumiram etnicamente a sua condição de afro-brasileiros, muito menos as causas da negritude.
Entre os senadores com sangue africano, Abdias localizou Rodrigues Alves e Nilo Peçanha, que também foram presidentes da República, e Tancredo Neves, que morreu antes de receber a faixa presidencial. (Fonte: Agência Senado)
Quando a não declaração ou autodeclaração de branco vira "negação da negritude"
A tese da esquerda militante é de que as pessoas que não se declaram negras, porque de fato não são negras, segundo os militantes, elas "escondem que são negras por vergonha, auto-rejeição".
Ou seja, para os militantes radicais da esquerda, as pessoas são negras nem que não se reconheçam como negras.
O problema é que esse raciocínio da esquerda militante fanática radical vai muito além, ele é usado para pessoas que não se declaram minorias em geral.
Ou seja, para os radicais de esquerda, 'você é isso nem que seja aquilo'.
Ainda, conforme o site do Senado:
[...] "Segundo Abdias, o equívoco dos colegas e da imprensa, descrevendo-o como o primeiro senador negro do Brasil, era compreensível:
— Por um processo de autorrejeição da própria identidade, [os 22 senadores] omitiram-na em seus currículos e assentamentos no Senado. Biógrafos e historiadores tentaram mascarar identidades, driblar genealogias, omitir ascendências, dissimular traços e características étnicas. Retratistas, pintores e fotógrafos, por ordem dos senadores ou de seus familiares ou mesmo por moto próprio, falsificaram, europeizaram fisionomias, criaram cabelereiras, procurando esconder o “estigma” africano dos retratados.
Ele continuou:
— Talvez eu seja o primeiro, sim, a assumir orgulhosamente sua etnia, sua cultura e religião, suas origens africanas e, sobretudo, a luta coletiva do povo africano em nosso país.
Um dos últimos nomes daquela lista de 22 foi Tancredo Neves (MG), senador no fim dos anos 1970 e no início dos anos 1980.
— Seria leviano afirmar que nas veias do mineiro Tancredo de Almeida Neves corria também o nobre sangue africano? — perguntou Abdias, para ele próprio responder. — Creio que não, levando em consideração seus traços fisionômicos, assim como de muitos de seus familiares, conforme testemunha seu primo [negro] D. Lucas Moreira Neves, cardeal primaz do Brasil e arcebispo da Bahia.[...] "Fonte: Agência Senado".
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A REALIDADE, SEM "ASTÚCIA"
Zacarias de Góis e Vasconcelos (1815–1877) foi um influente advogado e político do Brasil Império, destacando-se como o primeiro presidente da província do Paraná (E NÃO O CARA QUE CRIOU O PARANÁ).
Zacarias estruturou o governo local e ordenou a construção da Estrada da Graciosa, além de ter governado o Piauí e Sergipe.
Ao longo de sua carreira, ocupou cargos de alta relevância como deputado provincial e geral, senador pela Bahia, ministro de pastas importantes (Marinha, Justiça e Fazenda) e presidiu a Câmara dos Deputados e o Conselho de Ministros por três ocasiões, tendo ainda participado da fundação da Liga Progressista em 1864. Como pensador político, deixou um legado marcante com o livro Da Natureza e Limite do Poder Moderador, publicado em 1860, no qual defendeu de forma vanguardista e polêmica a diminuição dos poderes do imperador D. Pedro II para fortalecer o sistema parlamentarista no país.
As fontes biográficas oficiais — como os registros do Arquivo Nacional e do Senado Federal — descrevem-no como pertencente a uma família aristocrática e tradicional de proprietários de terras na Bahia, sendo classificado social e historicamente como branco.
Protanto, a tese de que Zacarias "era negro" não deve ser descartada por ser defendida por militantes, ela deve ser defenestrada porque NÃO HÁ EVIDÊNCIAS. HÁ TEORIAS DE MILITANTES À ESQUERDA, MAS NÃO HÁ EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS, NEM AUTO-DECLARAÇÃO DO ZACARIAS, QUE SUSTENTEM ESSA TESE.
EM SUMA...
Zacarias era Baiano e Nordestino, foi o cara que iniciou a organização administrativa do Paraná, mas não o criou. Por fim, novamente, não se pode afirmar que ele era negro, porque não há evidências científicas incontestáveis sobre isso. E ser baiano e nordestino não transforma nem o Zacarias, nem ninguém, em super herói ou vilão.
De resto, a mim pouco me importa se você é negro, mestiço, branco, azul, amarelo, verde, vermelho, nordestino, acreano, gaúcho, paranaense, o que for, penso que, diante da imensidão cósmica interestelar, não passamos de meras partículas de poeira cósmicas pensantes, achando que somos algo especial e não somos.
Defendo o respeito entre todos, defendo que racismo é crime, que xenofobia é igualmente criminoso e repugnante e que as pessoas deveriam ser honestas intelectualmente antes de espalhar desfinformação e politicagem escrota nas redes umbrais sociais para lacrar com as bolhas, mas sei que todo apelo a uma atitude honesta intelectualmente nesse pais destruído mentalmente, moralmente e espiritualmente pela polarização doentia, é a mesma coisa que falar com postes.
Mas, fica aí a minha opinião e esclarecimento.
__Kan






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