Versus algoritmia do caos das redes umbrais sociais IA-lizadas

                                                  


Estamos 'pregando' o fim das redes sociais?

Primeiro, aqui não tem idiotas com teorias da conspiração. Aqui tem estudos sérios e reflexões sérias, com referências, com fontes, com fundamentos, com checagem. 

Depois, a resposta para a pergunta é simples: NÃO, NÃO PREGAMOS O FIM DAS REDES SOCIAIS. Além de ridiculamente infantil, isso seria tirânico.

O que refletimos aqui, é a Autodeterminação Consciente diante da desumanização e a idiotização em massa nas redes umbrais sociais IA-lizadas e um possível caminho para a reurbanização da internet e das redes sociais de modo geral, se isso já não for tarde demais.

Estudos e estatísticas apontam que mais da metade da internet em geral está sendo movimentada e inflada por robôs, a maioria das interações são incitadas por robôs, (IMPERVA, 2025).

A situação piora e muito quando se trata das redes sociais. Para se ter um exemplo, o TikTok admite que 'há mais de 1 bilhão de vídeos sintéticos [gerados por IA, e pior, criados por robôs e movimentados por robôs que interagem com as próprias postagens] – na plataforma', e aumentando a cada minuto (PÚBLICA, 2026). 

Com efeito, estamos refletindo sobre uma coisa de altíssima gravidade e relevância que é a destruição mental, moral e espiritual do Ser Humano diante de uma plataformização doentia da internet e das redes sociais no geral.

É possível 'reurbanizar' a internet e as redes sociais? Depois da IA? A tendência é piorar e muito até o caos total e o colapso geral da internet e das redes sociais mortas, com montes de robôs e lixo desinformacional. 

Então, o que fazer diante desse cenário de ruptura civilizatória, inflado pelo caos algorítmico da internet e das redes umbrais sociais IA-lizadas? 

A nossa sugestão se baseia na seguinte reflexão que dá origem a esse movimento de resistência e sabotagem contra a algoritmia do caos das redes umbrais sociais IA-lizadas:

"A única forma de sabotar a algoritmia do caos é romper com a lógica da passividade e da dependência que essas plataformas impõem e alimentam. Uma estratégia simples e subversiva é não seguir ninguém. Quer saber de uma notícia? Procure conscientemente a página jornalística. Quer acompanhar alguém? Vá diretamente ao perfil dessa pessoa. Esse gesto aparentemente banal reintroduz o ato humano da busca, o ato humano de fazer, deslocando o Ser Humano da posição de mero usuário ou de objeto de recomendação algorítmica para sujeito ativo, em processo de re-humanização, um sujeito livre (ou a caminho da liberdade) da tirania algorítmica e que escolhe o que quer ver, fazer e consumir, reafirmando a sua Autodeterminação Consciente." (K4n, 2025)  

Compre o livro que sabe sobre isso: Teoria da Humanidade Zero https://loja.uiclap.com/titulo/ua112548/

A era contemporânea é marcada pela consolidação da tirania algorítmica do que denominamos aqui de 'redes umbrais sociais'. O fato é que ao invés das redes sociais promoverem interação saudável, humanização e democratização da informação, operam como dispositivos de desinformação, idiotização, brutalização e alienação violenta em massa. 

Essa engrenagem se apoia no que denominamos de “algoritmia do caos IA-lizada”: um conjunto de mecanismos algorítmicos projetados para maximizar engajamento por meio da exploração de emoções negativas, como ódio, indignação e medo. O resultado é um quadro de adoecimento social e mental que aproxima a humanidade, em sua maioria, do processo de Humanidade Zero — estado de desumanização total. (K4n, 2025). 

Pesquisas empíricas têm demonstrado os efeitos devastadores desse modelo. O MIT Media Lab (2023) revelou que conteúdos carregados de raiva ou choque têm 300% mais chances de viralizar em comparação a conteúdos informativos ou reflexivos. A PEN America (2022) mostrou que 82% do conteúdo viralizado no Twitter contém elementos de discurso de ódio. Estudos da Journal of Cognitive Science (2023) apontam que o uso intenso das redes sociais pode reduzir em até 4 pontos o QI médio de jovens adultos, resultado de sobrecarga cognitiva e dependência dopaminérgica. A Microsoft Research (2023) constatou que a capacidade de concentração caiu para 8 segundos em média, inferior à de um peixe dourado.

Esse cenário confirma a nossa denúncia desde 2018, e que constam na reedição do nosso livro "As redes umbrais sociais, 2025, que está incluso na edição de Teoria da Humanidade Zero": as redes umbrais sociais se tornaram “a morfina antes da eutanásia global”, anestesiando e degradando a consciência coletiva.

A ignorância, antes fruto de desigualdade educacional ou censura, hoje é cultivada artificialmente por algoritmos que moldam bolhas de confirmação, amplificam fake news, desinformação e transformam o absurdo em normalidade.

A idiotização em massa, longe de ser mero efeito colateral, ao nosso ver, é o projeto central do capitalismo tecnocrata ultra-dinheirista, que descobre ser “infinitamente mais lucrativo e eficiente destruir mentes do que corpos” (E-KAN, 2025, p. 21).

Nesse contexto, a questão da autodeterminação emerge como resistência possível, ainda que soe utópica (diante do altíssimo grau de idiotização no qual a maioria da humanidade se insere atualmente).

Logo, a teoria da sabotagem contra a algoritmia do caos proposta aqui, sugere estratégias de uso racional e minimalista das redes: não seguir ninguém, buscar ativamente informações em vez de consumir passivamente feeds algorítmicos, adotar a pseudonomização e, sobretudo, reduzir a superexposição.

Como sintetizamos em "As Redes Umbrais Sociais": “Não siga ninguém, não se exponha, não seja apenas um número dando lucros à Máfia das Big Techs, use a pseudonomização, seja cada vez mais ninguém nas redes umbrais sociais, até que elas deixem de ser redes umbrais, ou colapsem.”

A postura de uso estritamente racional das redes sociais e a vida retirada, especialmente, na virtualidade, mas também na realidade tangível — um distanciamento deliberado da superexposição — não se excluem, mas se complementam.

Ambas têm como horizonte a preservação da saúde mental e o fortalecimento de uma consciência crítica, ao mesmo tempo em que podem pressionar as corporações digitais a se ressignificarem e reurbanizarem.

Sherry Turkle (2023) já advertia que estamos diante da “primeira geração fisiologicamente adaptada à servidão digital voluntária”, e que somente rupturas conscientes podem alterar esse quadro.

Embora pareça um projeto utópico, diante de uma humanidade já imersa no processo irreversível de idiotização em massa, essa é a única via que vislumbramos para aqueles que não desejam ser triturados pelo rolo compressor do capitalismo tecnocrata ultra-dinheirista da algoritmia IA-lizada.

A autodeterminação digital consciente, ainda que restrita a uma minoria desperta, é hoje a última trincheira contra a Humanidade Zero.


E. E-Kan 


Referências

IMPERVA. Bot´s mais inteligentes e riscos maiores. Disponível em: https://www.imperva.com/resources/resource-library/reports/2025-bad-bot-report/ Acesso em 21 Jan. 2026

PÚBLICA. Internet é Terra de robôs. Disponível em: https://apublica.org/2026/01/internet-e-terra-de-robos/. Acesso em 21 Jan. 2026. 

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

E-KAN; K4N. As Redes Umbrais Sociais: Clube de Autores, 2025.

K4N. Teoria da sabotagem contra a algoritmia do caos. Manuscrito, 2025.

MIT MEDIA LAB. AI, Attention and Society. Cambridge: MIT Press, 2023.

MICROSOFT RESEARCH. Digital Attention Span Report. Redmond, 2023.

PEN AMERICA. Hate and Viralization on Social Media. New York, 2022.

SCHULL, Natasha Dow. Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas. Princeton: Princeton University Press, 2021.

TURKLE, Sherry. The Empathy Diaries. New York: Penguin, 2023.

ZUBOFF, Shoshana. The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power. New York: Public Affairs, 2019.




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