Pseudonímia da heteronímia da anonimização
"Idiotização em massa
A idiotização em massa
tenta aniquilar a individualidade,
a privacidade, O Ser.
Tudo fazem por uma pseudo-coletividade.
O anonimato e a pseudonímica
nas redes umbrais sociais é, além de segurança,
uma das formas de viver bem
e observar o Hospício Terrestre em declínio.
Armadura contra toda decadência
do mundo da hiper-exposição algoritmizada e IA-lizada:
pseudonímia da heteronímia da anonimização.
A multiplicação consciente de minhas máscaras,
contra toda mercantilização, coisificação,
assassinato de reputação, uniformização;
talvez seja o último recurso, ou o único recurso
contra a destruição da individualidade"
(E. E-Kan no livro Território dos Inquietos, 2025).
Explicação:
O poema-aforístico de E. E-Kan critica a idiotização em massa promovida por um mundo de hiper-exposição, onde a individualidade é corroída em nome de uma pseudo-coletividade.
Esse processo transforma pessoas em dados e ações nas bolsas de valores, opiniões em produtos e o Ser em mercadoria.
Tal diagnóstico dialoga com a crítica de Nietzsche à moral de rebanho, que sufoca a singularidade em favor da uniformização (NIETZSCHE, 2008). Também se aproxima de Foucault, ao denunciar mecanismos de vigilância e controle que operam pela exposição contínua dos indivíduos (FOUCAULT, 2014).
A defesa do anonimato e da pseudonímia, em E. E-Kan, não é fuga do mundo, mas estratégia consciente de preservação do Ser.
Nesse ponto, converge com Byung-Chul Han, que alerta para a violência da transparência absoluta na sociedade digital (HAN, 2017).
A “pseudonímia da heteronímia da anonimização” surge, assim, como uma forma de auto-afirmação radical da Vida: não negar a identidade, mas protegê-la contra a coisificação, a vigilância algorítmica e a destruição da singularidade diante da tirania da pseudo-coletividade idiotizada pelas redes umbrais sociais e sua algoritmia do caos IA-lizada.
Referências
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2014.
HAN, Byung-Chul. Sociedade da transparência. Petrópolis: Vozes, 2017.
NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
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